Fernando Henrique Cardoso é uma das figuras centrais da história recente do Brasil. Intelectual de destaque internacional, iniciou sua trajetória pública como sociólogo engajado no debate sobre os rumos do país durante o regime autoritário vigente entre 1964 e 1985. 

Nasceu em 18 de junho de 1931, no Rio de Janeiro, em uma família de classe média com expressiva presença de militares. Seu avô paterno e seu pai foram generais e vários parentes seus ocuparam posições de destaque nas Forças Armadas e no governo entre os anos de 1930 e 1950. 

Retrato da família Cardoso na entrada da casa, em São Paulo. Os pais, Nayde e Leonidas com os filhos Gilda, Antônio Geraldo e Fernando Henrique. São Paulo (SP), anos 1940. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo em 1952, logo se tornou um dos expoentes de sua geração. Em 1953, casou-se com Ruth Vilaça Corrêa Leite, sua colega de graduação com quem teve três filhos: Paulo Henrique, Luciana e Beatriz. Com apenas 32 anos, já havia atingido o penúltimo grau da carreira como professor da cadeira de sociologia naquela universidade. 

Viveu no exílio entre 1964 e 1968, no Chile e na França. Nesse período, consolidou-se como referência do pensamento crítico latino-americano. De volta ao Brasil para disputar o concurso para professor catedrático na USP, foi punido pela decretação do AI-5, o ato institucional mais draconiano da ditadura. Com os direitos políticos cassados e impedido de dar aulas na universidade, liderou a criação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Cebrap, que se afirmaria como polo de resistência intelectual ao autoritarismo.

FHC participou ativamente da luta pela redemocratização. Ingressou na política partidária em 1978, tornou-se senador em 1983, ministro das Relações Exteriores em 1992 e da Fazenda em 1993. Neste cargo liderou a concepção do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira depois de duas décadas de inflação alta, crônica e crescente. Em 1988, ajudou a fundar um novo partido, o PSDB, agremiação que trazia a social-democracia no nome e no ideário. 
Presidente por dois mandatos sucessivos, entre 1995 e 2002, contribuiu decisivamente para fazer do Brasil um país mais estável, menos injusto, mais democrático, e mais inserido e respeitado no mundo. Zelou para que a alternância de poder entre ele e seu principal adversário político, Luiz Inácio Lula da Silva, que o sucedeu na presidência, se desse de maneira transparente, organizada e colaborativa. 

Retrato de FHC em frente ao palácio do planalto, em seu primeiro ano de mandato. Brasília (DF), 1995-06-23. Acervo Pres. F. H. Cardoso.

Após a presidência, Fernando Henrique Cardoso criou uma instituição que leva seu nome, a Fundação FHC, um centro de memória e pesquisa a partir de seu acervo e de estudos e debates sobre os desafios contemporâneos da democracia e do desenvolvimento. Integrou organizações internacionais como The Elders, com Jimmy Carter, Nelson Mandela e outros líderes mundiais, o Club de Madrid e o Círculo de Montevideo, nestas duas últimas entidades em companhia de Felipe González.